sexta-feira, 18 de junho de 2010

Velas ao mar



Velas ao mar

Texto e foto de Valéria del Cueto










Sol, me salve! De repente o mundo ficou grande demais para mim.


Muito de repente. Há dias que toureio o tempo, apostando nas luas e eventos para ver onde posso chegar.  Sabendo que quando tudo está indo para um lado, algo inesperado pode virar a roda e o destino planejado cambar para uma direção até ali inexplorada e quase nunca cogitada.


A vida é assim, aprendi. Por isso nunca desprezo ou ignoro um sinal que possa indicar o início de uma destas transformações. A questão é não ter nenhum pré conceito sobre a origem do aviso.


Pois saibam, recebi um destes. Vieram de Uruguaiana os 500 mil acessos do blog do Tribuna (http://tribunadeuruguaiana.blogspot.com) . Um sonho com começo, meio e, como sempre, sem fim. Mas tanto assim? Justo agora? Uma pedrada na minha cabeça. Não pelo fato em si, mas pelo momento.


A época não poderia ser mais complicada. As pré-convenções são como um piso ensaboado.  Tudo pode acontecer e um deslize pode ser fatal. Para fechar a tampa, estou no meu inferno astral. É de doer!


Aí, entram o Tribuna, os 500 mil e a luz vermelha se acende. Uma semana antes do meu aniversário? 500.000? Pronto. Tenho dez mil motivos para me lembrar que 50 anos é coisa à beça!


E reconheço: entrei em crise. Sei que lutei o bom combate, mas algumas coisas, detalhes relevantes, não me fazem ligar o nome, o corpo e o fato. A cabeça então, nem pensar! Está tudo meio deslocado no contexto.


Se há solução? Claro que sim e depois que a(s) encontrei, adeus crise.

Das duas uma: ou afino o instrumento e me preparo para agüentar mais uns tantos anos nessa levada ou jogo tudo pro alto e recomeço do zero.

Não tenho pressa para tomar minha decisão. Isso (tremo ao dizê-lo), a idade me ensinou.


Primeiro, vim pro Rio, o de Janeiro. Corri para o ninho para comemorar o meio século e ver minha cidade natal verde e amarela, em tempo de Copa do Mundo.


Depois? Bem, depois sei lá. Aguardo, no meu lugar aqui na Ponta do Leme, a próxima doce brisa do meu mar. Só ela poderá me dizer para onde o vento que passa vai me levar.


* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Ponta do Leme, do SEM FIM http://delcueto.multiply.com