terça-feira, 10 de maio de 2011

Livros, violino e La Flor




Coisas que acontecem no Leme...

Aqui, nossa livraria é a Fátima, a possuidora da voz mais linda do pedaço, que revende livros usados numa das esquinas do bairro. Ela presta dois favores à vizinhança: ser o receptáculo dos livros que alguém não quer mais e a fonte de conhecimento literário a baixo custo para quem tem sede de literatura, como eu.

Como o bairro tem muitos moradores ligados por amor ou profissão em livros, cujo espaço vai se tornando pequeno para tantas obras, é comum encontrar exemplares interessantíssimos na prateleira de nossa amiga.

Este ensaio é sobre uma outra coisa que foi posta à venda na "livraria". Um violino. Vi o intrumento, pousado num caixote de maçãs La Flor, cedida pelo hortifruti, quando ia tomar café na padaria do outro lado da rua.

Não resisti, voltei em casa, peguei a câmera e aproveitei a chance de poder explorar os ângulos da peça num cenário que, certamente, ninguém imaginaria em encontra-la.

Enquanto andava de um lado para o outro, procurando os melhores enquadramentos, várias pessoas passaram curiosas, querendo saber se ele estava à venda, a quem pertenceu. Esta, foi a única informação que Fátima não deu. Afinal, quem precisou se desfazer de um instrumento musical tão lindo, prefere manter o anonimato no bairro.

Texto e fotos de Valéria del Cueto, para a série Ponta do Leme, do Sem Fim...

6 comentários:

Carlo Anton disse...

no entiendo

Filipe Antunes disse...

É. Quem o vende, deixa por aí um pedaço da alma. Ninguém se desfaz de um objeto assim tão belo, sem dor.

Jorge Matias disse...

Talvez a alma e o violão já não seja mais um só. Perderam-se.

Valeria del Cueto disse...

Soube hoje que o próximo instrumento musical que será vendido na "livraria" é um violão.

Na verdade, foi ele, o violão, a primeira peça negociada com a livreira mas ela ficou com ele. Agora, chegou a conclusão que não vai aprender a tocar, por que não conseguiu entrar nas aulas do Centro comunitário, então, vai passar pra frente.

O que quero dizer é que quem vendeu o violino - e sentiu essa dor, por que também acho que dói horrores - , espalhou pedaços de sua alma em outros instrumentos musicais...

Aliás acho que foi por isso que demorei a postar essas fotos. Fiquei imaginando e quis evitas a tristeza do proprietário, se visse seu violino ali, em cima da caixa de maçãs, oferecido como uma mercadoria especial, mas qualquer...

alba regina de barcellos barros disse...

rua gustavo sampaio esquina com anchieta. as *rosas do leme* ainda vendem rosas? *pisc*

Valeria del Cueto disse...

Seu Modesto está lá cercado de rosas e demais belezuras. O botequim a direita resiste. A esquina virou um horti-fruti.
Na Padaria Duque de Caxias (que aparece ao fundo de uma das fotos) os sucos, o pão apertado na chapa com polenguinho e o cafézinho continuam compondo minha primeira refeição do dia preferida.