Coisas que acontecem no Leme...
Aqui, nossa livraria é a Fátima, a possuidora da voz mais linda do pedaço, que revende livros usados numa das esquinas do bairro. Ela presta dois favores à vizinhança: ser o receptáculo dos livros que alguém não quer mais e a fonte de conhecimento literário a baixo custo para quem tem sede de literatura, como eu.
Como o bairro tem muitos moradores ligados por amor ou profissão em livros, cujo espaço vai se tornando pequeno para tantas obras, é comum encontrar exemplares interessantíssimos na prateleira de nossa amiga.
Este ensaio é sobre uma outra coisa que foi posta à venda na "livraria". Um violino. Vi o intrumento, pousado num caixote de maçãs La Flor, cedida pelo hortifruti, quando ia tomar café na padaria do outro lado da rua.
Não resisti, voltei em casa, peguei a câmera e aproveitei a chance de poder explorar os ângulos da peça num cenário que, certamente, ninguém imaginaria em encontra-la.
Enquanto andava de um lado para o outro, procurando os melhores enquadramentos, várias pessoas passaram curiosas, querendo saber se ele estava à venda, a quem pertenceu. Esta, foi a única informação que Fátima não deu. Afinal, quem precisou se desfazer de um instrumento musical tão lindo, prefere manter o anonimato no bairro.
Texto e fotos de Valéria del Cueto, para a série Ponta do Leme, do Sem Fim...
6 comentários:
no entiendo
É. Quem o vende, deixa por aí um pedaço da alma. Ninguém se desfaz de um objeto assim tão belo, sem dor.
Talvez a alma e o violão já não seja mais um só. Perderam-se.
Soube hoje que o próximo instrumento musical que será vendido na "livraria" é um violão.
Na verdade, foi ele, o violão, a primeira peça negociada com a livreira mas ela ficou com ele. Agora, chegou a conclusão que não vai aprender a tocar, por que não conseguiu entrar nas aulas do Centro comunitário, então, vai passar pra frente.
O que quero dizer é que quem vendeu o violino - e sentiu essa dor, por que também acho que dói horrores - , espalhou pedaços de sua alma em outros instrumentos musicais...
Aliás acho que foi por isso que demorei a postar essas fotos. Fiquei imaginando e quis evitas a tristeza do proprietário, se visse seu violino ali, em cima da caixa de maçãs, oferecido como uma mercadoria especial, mas qualquer...
rua gustavo sampaio esquina com anchieta. as *rosas do leme* ainda vendem rosas? *pisc*
Seu Modesto está lá cercado de rosas e demais belezuras. O botequim a direita resiste. A esquina virou um horti-fruti.
Na Padaria Duque de Caxias (que aparece ao fundo de uma das fotos) os sucos, o pão apertado na chapa com polenguinho e o cafézinho continuam compondo minha primeira refeição do dia preferida.
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