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terça-feira, 13 de maio de 2008

Pelos ares



Pelos ares

Texto e fotos de Valeria del Cueto*



Nada a observar sobre o transbordo em Brasília para o vôo com destino a Cuiabá além dos vidros azulados dos corredores do aeroporto da Capital Federal.

Foi como o pit stop de uma escuderia de ponta da fórmula 1. Só deu tempo de andar do portão 4 até o 6 e entreouvir pelo rádio do atendente da companhia aérea "só falta a Maria Cueto". "Faltava", informei para o diligente rapaz que, imediatamente, anunciou ao chefe dos comissários da aeronave: "embarque completo".

Eficiência pensará você, caro leitor, talvez até emocionado, depois da cama feita pela fama dos percalços aeronáuticos do ano anterior. Não, companheiro, foi atraso mesmo, esclarecerei do alto de minha vasta experiência, adquirida cruzando os céus deste imenso Brasil.

O vôo do Rio chegou a Brasília 15  minutos depois do horário da partida da conexão para Cuiabá e esta aguardava a passageira que vos fala. Só eu vinha do Rio com destino a capital de Mato Grosso...

Sinceramente, nem me estressei. Afinal, atraso em/ou para Cuiabá, é barbada  em qualquer aposta sobre pontualidade. E, caso tivesse que pegar o próximo vôo, que saía às 10 e tanto da noite, aproveitaria para rever alguns amigos queridos de Brasília, dos tempo em que fiz a direção de produção do longa Federal, em 2006. Diante da performance excepcional da troca de aeronaves, esta hipótese super agradável ficou para uma próxima vez.

Quem sabe na viagem que farei à Cidade Maravilhosa para a 4º Edição Prêmio Plumas e Paetes, onde um “coletivo” formado no curso de Gestão de  Carnaval, da Estácio de Sá, distribui um troféu aos artífices da folia carioca.

Isso mesmo, o troféu que este ano homenageia o centenário de Cartola, é entregue a marceneiros, ferreiros, costureiras, aderecistas, bordadeiras, etc. distribuídos por 37 categorias que fazem do carnaval  do Rio de Janeiro um grande e único espetáculo de arte popular mundial.

Desnecessário dizer que este tem sido tema e mote das minhas pesquisas acadêmicas e das entrevistas que gravei para o programa da TV Universitária sobre Carnaval, o Estácio de Samba. Também me orgulho de fazer parte deste bonde, composto pelo José Antônio, o John Michael, o Izaaquis e seu atelie, a Glöria e muitos outros que buscam, com um árduo trabalho profissional, um lugar ao sol no mercado carnavalesco.

Sol me lembra céu e é no do centro oeste que encontro. Ele me saúda com um show de efeitos tão especiais quanto irresistíveis para a lente da minha câmera digital. Tudo a seu tempo, aprendi um dia...  

Agora, é inevitável, que venga Cuyabá!


*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval
Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano do  Sem Fim...




quarta-feira, 9 de maio de 2007

Brasilia - Os Medeiros


Família jogadores de volei e seresteiros, conheci Wanderley em Bela Vista, assim como a família Bermudez. Reencontrei em Brasilia.

fotos de Valéria del cueto

Brasilia - Os Bermudez





Amigos de sempre...

segunda-feira, 9 de abril de 2007

sábado, 27 de janeiro de 2007

Brasi­lia - Lagrimas de chuva


Como lágrimas, pingos de chuva.
Luz que faz brilhar.
Transcendência delicada
Beleza guardada
por segundos
antes de se misturar
a terra...

fotos de Valeria del Cueto

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Brasilia - Verde / Movimento 03


Nada a fazer, tudo a ver...
Quando não está escrito, repara.
ɉ corte, sorte ou acaso...
Tanto?
Tão pouco.
Detalhe, mero detalhe.

fotos de Valeria del Cueto

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Brasilia - Chão / Movimento 02









Cerne é mandala
medo morcego.
Movimento ordenado.
Tropeço, o destino.
Risco e traçado
marcado no chão.

texto, foto e imagens de Valeria del Cueto

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Brasilia - Lago Sul


fotos de Valeria del Cueto

Cada um tem o lago que merece...
Esta e a chacara de Eurico Rocha, base de producao do ultimo trabalho que fiz e meu "lar", do Mickey, do Ronaldo, do Caxapuz e tambem do Mazinho, alem de outros hóspedes circunstanciais no tempo que estive em Brasi­lia durante o segundo semestre de 2006.

Sobre este peri­odo escrevi duas cronicas:
A MAGICA DO AMANHECER:
e TESOURINHA E TEMPORAL:
No mais, fica as saudades da gente boa que conheci por la e ainda passara por aqui nos proximos alguns...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

BRASILIA - TESOURINHA E TEMPORAL


TESOURINHA E TEMPORAL


Valéria del Cueto
Agosto de 2006

Saí da Ponta, deixei o Leme. Larguei o Rio...


Não se assuste. É só por um tempo, afirmo corajosamente tentando convencer a você e
a mim.

Troquei de cenário. Estou em Brasília! Foi uma virada e tanto. Só me dei conta do tamanho da guinada lá pela oitava volta numa tesourinha da cidade.

Quer saber o que é uma “tesourinha”? É uma gíria carinhosa brasiliense para... Imagine um oito, símbolo do infinito. Então agora, coloque dois infinitos cruzados. Um oito em pé com outro deitado. Um laçarote duplo de asfalto.

Se enjôo em curvas simples e singelas como dos viadutos cariocas calcule, caro eleitor, o efeito de entrar na pista errada num eixo qualquer da capital  federal, e rodar, rodar, rodar, rodar, até refazer todo o percurso e... errar a saída novamente.

Beto Dock, meu amigo querido e “guia”, consegue esta muitas outras façanhas. E eu, mareadíssima, entendi o inevitável, se bem que não definitivo acontecimento: havia aterrissado em Brasília, trocado a maresia permanente do meu Leme, a brisa do Caminho dos Pescadores por aquilo que (acho) mais gosto de fazer: cinema. Neste caso, na direção de produção.

Tudo é novo e você sabe, se escrevo, é por que gosto do que vivo, vejo e aprendo.

Volto ao centro oeste. Procuro ar na falta de umidade. Cabelos e pele ressecados, litros e litros de água para tentar reequilibrar o organismo que se ressente da súbita mudança.

Respiro fundo, muito fundo em busca do cheiro de terra molhada que vem do que, temo, será a última chuva antes da seca que assola o cerrado a cada ano. Aqui, verão é seca, inverno quando chove. Julho é verão e as chuvas só aliviam a terra a partir de outubro, diz a lenda...

O trabalho do dia termina enquanto observo a chuva deslocada, fora de época. Ninguém em volta, acabou o “expediente”, ainda não começamos as filmagens. 

Vejo os últimos carros saindo pelo portão. E tome barulho de chuva e calor.

Meu destino é certo: resquícios do tempo em que morei em Mato Grosso. Adoro chuva, ainda mais diante da incógnita. Quando será o próximo temporal? Sei lá... então, por via das dúvidas, vamos aproveitar, convenço facilmente a mim mesma.

Largo o computador, ultrapasso a sala de produção, invado a varanda e amplio meus horizontes. O céu é o limite, emoldurado por mangueiras, abacateiros, flamboyants e outras espécies nativas por quase todos os lados. Com chuva, muita chuva para molhar meu cabelos, escorrer pelo rosto, invadir decote a dentro fazendo cócegas nas minhas costas. Encharcar minha roupa, pingar da ponta do meu nariz e trazer uma conhecida e rara sensação...

Me sinto em casa, numa delas. Sozinha no paraíso, passeando entre as árvores ( cuidado com os raios, menina!) estou em paz.

Mesmo que ainda um pouco mareada devido as inevitáveis e infindáveis tesourinhas. Terror permanente que me perseguirá pelos próximos e longos meses...


Valeria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito



quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

BRASILIA - A MÁGICA DO AMANHECER






A MÁGICA DO AMANHECER

Texto e foto de Valéria del Cueto
Agosto, 2006
Quando acordo de manhã e abro a janela do lado do sol nascente os desenhos das folhagens do arvoredo ficam dançando na parede azul clara do quarto. Hipnóticos e inquietos parecem tentar ultrapassar os esquadros da janela antiga que delimita os espaços.

Pelo espelho em frente da cama vejo refletida a janela e as cores das mangueiras e abacateiros que compõem a paisagem incomum e privilegiada da Brasília que habito nesta temporada.

Ouço ao longe o barulho da vassoura do caseiro recomeçando, a cada manhã, sua tarefa infindável de recolher as folhas que caem aos montes no terreno da chácara do Lago Sul.

Levanto, escancaro as bandas da janela. Elas também querem participar da festa matinal e
ficam num vai-e-vem ao sabor do vento ainda brando de inverno, clareando e escurecendo o ambiente.

A primeira imagem que vejo é a casa na árvore. E não é uma casinha qualquer não. Tem estantes, prateleiras, proteção ao redor da varanda. Uma mansão encarapitada nos galhos de uma velha mangueira.

Até agora só explorei a área pelo lado de fora. Pareceu-me um ótimo refúgio. Pela infra-estrutura, imagino as crianças no sobe e desce, usando o espaço como se fosse um reino a parte e particular.

É das travas de madeira que sustentam a plataforma onde a casa de brincadeira foiconstruída que se projetam mais dois apetrechos infantis: um balanço e um trapézio. Estes, eu já testei.

Pena que acabaram presos, recolhidos por ganchos para não atrapalharem a circulação dos carros que procuram na sombra da mangueira escapar do calorão brasiliense. (Mas eu não disse que era inverno? E daí? Estamos no centro oeste...)

Tentei protestar, mas fui voto vencido. Alguém usou um argumento contra o qual não pude replicar: “Afinal, você está aqui para transformarmos este lugar na base de produção de um longa metragem ou para ficar brincando no balanço da casa da árvore?”

Capitulei na ocasião, assim como capitulo agora. O sol subiu, os desenhos mágicos que dançavam na parede desapareceram. É hora de encarar o batente.

Até o próximo amanhecer, quando o espetáculo recomeça e eu estarei aqui, do camarote vip na minha cama, para aplaudir o show de novo... 


Valéria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito






quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Brasília - Cigarras



VOLTA AO LAR
O som se insinua,
o chiado cresce,
domina o ar.

Ocupa, amplia,
alcança, ultrapassa,
enlouquece.

Persiste, se espalha,
integra, agrega e...

Psiu!
Silêncio.
Desaparece!

Brasilia - Primavera / Movimento 01



A conquista extrapola o espaço.
Reune detalhes
Agrupa o sentido
Do que pode ser
ou ter
multiplas e variadas
Interpretações...

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Brasilia - Eu viajava no jardim...




Brasilia - Enquanto o couro comia...





... no jardim da Mariazinha. Era a feijoada/ensaio da bateria do bloco dos jornalistas brasilienses.

PS: Esqueci de dizer: a Mariazinha é a que está tocando surdo(!) na bateria do bloco...

Brasi­lia - As flores do jardim da Mariazinha...



Parecem que queriam.
Ser admiradas,
contempladas,
estudadas,
detalhadas.
Desnudas...