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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Não conto

Não conto

Texto e foto de Valéria del Cueto

Esperei. Por sete dias...

Nos tempos da natação, nas categorias infanto-juvenil da equipe do Flamengo, quem treinava de manhã no grupinho de três ou quatro tinha uma mania/simpatia. Se você sonhava com uma coisa e quisesse que ela acontecesse tinha que contar antes do café da manhã. Se fosse um pesadelo só podia contar depois para evitar sua concretização.

Era o tipo de brincadeira como encontrar placa de carro em que os números da licença somassem nove e fazer um pedido. Se a gente cruzasse com uma mulher grávida e alguém de chapéu (boné não valia), era certeza que o desejo se tornaria realidade.

O que causava transtorno na simpatia do sonho é que o treino começava às seis da matina e sem chance para se alimentar e enfrentar horas de piscina. O café com pão e companhia eram depois do esforço físico. Não dá para treinar de barriga cheia...

Contar o sonho, se fosse bom, era uma das coisas que atrapalhavam e mereciam reprimendas do técnico que não alcançava o motivo de tanto tititi madrugador. Era mais difícil esperar o fim do treino porque todo mundo saía correndo apressado para começar a rotina diária.

Sempre que tenho um SONHO com maiúsculas me lembro da brincadeira e, sim, procuro seguir à risca a simpatia.

Deixei passar o café da manhã e muitos dias sem contar pra ninguém sobre o silêncio ensurdecedor. Ultrapassei os prazos para nem depois do almoço, ou dos jantares, externar em palavras o hiato absurdo da ausência.

Pulei o evento e passei para o outro lado, imaginando o despertar para a irrealidade dos sonhos interrompidos, dos projetos infindos. Sou parte disso, o que facilita a projeção. E, sim, acredito em passagem, em “firmar” na inconsciência para facilitar a consciência.

Não consigo ir além da estupefação e da revolta, então tentei mentalizar saídas, opções e a muito breve reencarnação para poder continuar de onde parou (dizem que a gente não esquece o que aprende e sempre anda pra frente). Com a mesma fome de justiça, a voz rouca punk rock. Talvez um tiquinho menos explosivo, que é para segurar o coração, mas sempre jogando de maneira franca e aberta. Como foi o convite para fazer a coluna batizada por ele de “Crônicas do Sem Fim...”, na revista Ruído Manifesto.

Mal entrei e ele partiu. Me deixou muda exatamente depois de combinarmos fazer muito barulho. O soco no estômago ainda dói como se fosse verdadeiro.

A falta do fio com a revista se mantém porque não há linha forte o bastante para resistir ao cerol da fatalidade que mandou para o céu a big pipa inquieta e curiosa que vadiava (no bom sentido) em busca de horizontes mais altos e visíveis para novos escritores, poetas, artistas. De Mato Grosso para o mundo. A pipa se foi, mas o fio ficou...   

E os dias se passaram, com aquele vácuo barulhento incomodando, impedindo qualquer forma de expressão, qualquer tentativa de reação.

Foi assim até o dia que o mar, devagarzinho, pariu no horizonte a lua cheia de agosto. Redonda que nem bolacha (lembrou alguém?). Fazendo suas gargalhadas se refletirem nas marolas animadas de uma pós ressaca daquelas!

Fiquei em paz com minha revolta, guardada para as muitas ocasiões que, meu amigo sabia e sobre isso conversamos, precisaríamos muito dela.

Ao fio, que une a todos nós do Ruído Manifesto (olha eu bancando aquele...) anuncio que estou aqui, pronta para “voar” na gritaria.

Re-começo com “Não Conto” para, como ele que partiu até ali, (res) suscitar na poesia, na prosa e, no meu caso, nas imagens. Elas, as que  fazem de nós ruidosos manifestos impermanentes da inquietação e, quem sabe, da esperança.

*Pro Rodivaldo.

**Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Arpoador” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com


Studio na Colab55

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mangueira 2012 - Feijoada de maio 2011 - Baianas




A feijoada está para as baianas como as batucadas para o samba.

São elas, as baianas, que ao som dele, o samba, recepcionam os convidados e circulam organizando o salão.

Suas histórias têm dois pontos em comum: o amor pela escola que as re-une e o prazer, expresso em cada sorriso e gesto de gentileza, de senti-lo.

Mais ainda ao comemorar o título do time de coração campeão carioca, o Flamengo.

A feijoada do mês foi dia 14 de maio. Nela foi comemorada a decisão a favor da união estável de homossexuais, com o lançamento de uma camiseta especial, e anunciado o resultado do concurso de logos do enrredo 2012 "Sou Cacique, Sou Mangueira, vou festejar!".

A quadra recebeu a visita das taças conquistadas pelo Flamengo no Campeonato Carioca. Pelo palco do Palácio do Samba também passou a cantora Gaúcha da Portela, colega da turma de Gestão Carnavalesca, na Universidade Estácio de Sá e os representantes da Tim distribuíram chips, sortearam celutar e uma motocicleta entre os presentes.

Seguem os links para os demais álbuns da festa
Mangueira 2012 -
Feijoada de maio 2011
Baianas
Social
Palco
MaGAYra

Fotos de Valéria del Cueto

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A dança do manto na vitória rubronegra




No dia do 06 de dezembro, o dia do HEXA do Flamengo, na Marques de Sapucaí, Rio de Janeiro, acontecia a abertura dos ensaios técnicos do carnaval carioca de 2010. A Cubango abriu os trabalhos. Depois, a pista foi da Estação Primeira de Mangueira e aí... MENGO!
No final do desfile, a pista foi tomada. No meio da festa, lá vinha ela. Tremulando, dançando, comemorando. Feliz de quem estava lá. Aqui, o registro da alegria de uma nação, no embalo da dança do seu manto.
Imagens, produção e edição Valéria del Cueto. Produzido pela del Cueto - assessoria e produção.
http://delcueto.multiply.com
* Agradecimentos à Liesa e a Riotur.
*este vídeo marca os 50.000 acessos do canal delcueto no youtube . Obrigado a todos os que prestigiam nosso trabalho.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O ópio do povo


O ópio do povo 

Texto e foto de Valéria del Cueto
Uma e meia, em plena segunda feira e estou na praia. É, é isso mesmo. Pode pensar o que quiser. É verdade. Seus pensamentos são parcialmente verdadeiros. Por que não é vagabundagem, é necessidade eminente.

Corri pro refúgio mais seguro que conheço. O local que testemunha minhas dores e alegrias. Aqui, sou eu e ele, seja lá quem for. Faça sol ou faça chuva.

Hoje o mar ruge por mim. Tá poderoso, mexido. Na medida número de surfistas na água, o percentual resultante é de um dígito a direita da vírgula. Um ser solitário se arrisca entre as valas, a correnteza puxa.

As metáforas dizem tudo. São elas também que mostram o caminho a seguir: o tempo. Ele é um sinal de maturidade. Pelo menos no meu caso. De tanto correr com ele, aprendi a deixá-lo correr. Foi na porrada, mas um dia a ficha caiu. Aí a gente vai ficando mais velho esperando, em vez de empurrar.

Mas não foi isso que me trouxe pra cá. Aliás, a causa nesse caso é o de menos. Importa é a conseqüência. Ou melhor, a sequência. E essa, me é totalmente favorável.

Portanto, matogrossenses amigos, cuiabanos queridos, eleitores uruguaianenses , povo do meu Brasil do Sem Fim. Acompanhem-me nos próximos takes dessa cena, cujo início da sequência vocês já registraram no filme da minha vida que inclui todos vocês, leitores fiéis.

SEQ XX - Praia do Leme – exterior/dia -
Take 01 – Ela olha para frente e vê Copacabana estendida a luz do início de tarde. O céu está estupidamente azul, bandeiras tremulam agitadas nas poucas barracas espalhadas na areia.

Take 02 - PV da mulher – Seu olhar passeia vagarosamente pela dupla ao longe que joga frescobol, o homem que exercita o cachorro, o rapaz solitário que olha o mar. Acompanha o casal que caminha na beira da água e o helicóptero vermelho dos bombeiros que fiscaliza a orla ressaqueada.

Take 03 - Seu corpo vai girando em direção a pedra do Leme, seu olhar se fixa na passagem do vendedor de chapelão que grita “Olha o mate, mate limão” e se distrai, seguindo o vôo de uma pomba até o colorido da bolsa de praia chama atenção.

Take 04 - Ela sorri. Larga a caneta e o diário de bordo onde escreve, em cima da canga do Biscoito Globo - de sal. Desarma-se pra vida.

Take 05 - Tira da bolsa o objeto que chamou sua atenção. É um jornal, o caderno de esportes. Na capa, vermelha e preta, em letras brancas garrafais, a manchete: cinco vezes tri. Acima de tudo rubronegro. 31 X campeão. E mergulha...

PS: Danem-se os problemas, adiem a crise. A minha e a de todos os que ontem, lavaram a alma. Aqui, agora, tudo é passageiro, menos a alegria de ser... rubronegra.

Depois a gente pensa no resto!

Valéria del Cueto, para série Ponta do Leme, do SEM FIM...