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domingo, 4 de agosto de 2013

And now...


Texto e foto de Valéria del Cueto
O vácuo entre os megaeventos deveria chegar a essas mal traçadas páginas.
Uma pausa entre o arrasa quarteirão eclesiástico e o da música, uma caminhada nextélica e cheia de lama entre a Cidade da Fé e a Cidade do Rock.
Pra começar nada de Cidade da Fé, que essa ficou atolada em Guaratiba. Foi um caso em que a arte imitou a vida, que aprimorou a arte.
Refiro-me a arte cinematográfica do delicioso filme franco-uruguaio “O Banheiro do Papa”, de 2007, escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández.
Uma história real, que virou ficção para ser ampliada exponencialmente na malograda Cidade da Fé: a de um contrabandista de fronteira que usa tudo o que tem para construir um banheiro, atender as necessidades básicas dos peregrinos e arrumar algum. Lá, deu tudo errado, igual aqui.
Isso é claro, não tem nada a ver com a alegria do Papa Francisco, sua empatia e a forma com que cativou as multidões por onde passou. Seu carisma é sua mensagem são inquestionáveis. A questão é mais palpável e real. Ela é financeira e econômica.
Foi nesse quesito que a parte Zona Oeste do Rio levou um banho. De água fria. A parte Zona Sul ficou sem transporte, desabastecida, porém feliz. Afinal o Papa é pop.
E já se foi. Para nós, ficou a realidade, a espera e um novo megaevento para breve.
A diferença está, justamente, nesse intervalo, agora habitado por uma gama variadíssima de manifestações populares. E, com as perspectivas futuras, em curto ou largo espaço de tempo, a tendência é que essa agenda venha a ficar ainda mais intensa. Afinal dólar subindo, bolsa em queda, e a inflação... Deixa pra lá.
Esses fatores, aliados ao descompasso dos dirigentes políticos, agora já preocupados em tirar proveito da revolta da população, já que estão definitivamente mal na foto popular, só tendem a agravar o quadro.
Não falo do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, estados por onde costumo circular com mais frequência. A questão é nacional.
Até Amarildo, o desparecido da Rocinha, não é mais um apelo carioca. O Brasil inteiro pergunta ao (des)governador Sérgio Cabral: ONDE ESTÁ O AMARILDO?
E, quanto mais fuçam pior fica. As câmeras que pagamos e eles anunciaram e alardearam nas propagandas milionárias em horário nobre da TV, simplesmente não funcionavam. Assim como o transporte, a saúde...
Alguém tem que pagar por isso. É muita irresponsabilidade, muito desperdício.
É nosso dinheiro sendo usado não em benefício do povo, para sua proteção, mas para enriquecer as firmas A e B, que simplesmente não cumprem o exigido nos contratos assinados e nem mal e nem porcamente fiscalizados.
Assim como as câmeras do Amarildo, as da CETRio também falham quando acionadas pela população. Especialmente as da casa do Sérgio Cabral...
Por essas e por outras é que haverá uma data especial no calendário dos megaeventos, no mês que vem, inserida por motivos alheios a vontade popular. Será o 7 de setembro.
A data em que todo brasileiro vai entender Dom Pedro,  quando bradou com revolta no coração e a voz cheia de razão: “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pacú Atômico - Future Zoo




Future Zoo é o clip que dirigi de uma das músicas da lendária banda Pacú Atômico, em 1998.

Luke Pança de Mamute, Rodrigo Lopes, Santiago Roa e Rubão Lisboa arrasaram na apresentação registrada por Hélio Lopes numa rua do Jardim Itália, Cuiabá.

Future Zoo fez parte da trilha musical do vídeo documentário Caçada.
http://www.youtube.com/watch?v=Z6k7A6...

Mais informações no Sem Fim... http://delcueto.multiply.com

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

A PEDRA E A PONTA OU A PONTA E NA PEDRA?





A PEDRA É A PONTA OU A PONTA É NA
PEDRA?


texto de Valéria del Cueto

fevereiro de
2006



Esta
é uma questão importantíssima para uma sexta feira. (Sexta? De novo? Pois é,
mais uma...) cheia de visitantes, até na minha área, habitualmente tão
calminha... O dia 1 da contagem regressiva. Amanhã tem Rolling Stones.






Daqui
vejo a estrutura do palco, no contra luz das 4
da tarde, e sinto os primeiros efeitos da horda que virá. Luzes se acendem e
começo a ouvir ao longe o som do palco, ainda sufocado pelo som das ondas. Deve
ser teste dos equipamentos..






NO
MAR


No
mar, um navio da marinha e um petroleiro. O petroleiro espera a maré encher
para entrar na baia de Guanabara. Do alto do Forte do Leme dá para ver como é
estreita a entrada da baia. Há um movimento incomum de barcos e lanchas no
horizonte. Não, não é só no mar. O movimento incomum é generalizado.








Este
é o penúltimo dia do horário de verão, o último final de semana antes do
carnaval, véspera do maior show da banda de rock número um do mundo. É pouco?
Para tornar a imagem perfeita, o sol é o senhor absoluto do céu, depois de dias
de chuvas, mormaço e tempo nublado.




Existem
sinais, digamos que comportamentais, para atestar o fato de que grande parte
dos participantes deste programa básico de verão não é local: O corredor puxa
muito na passada e está branco demais para ser habitué. Pra que acelerar, quem
corre sabe, tem que manter o ritmo. As pranchas de surfe são inadequadas e
desnecessárias, diante do mar minguado que se apresenta. Barracas uniformes de
hotéis da Atlântica abrigam visitantes que procuram proteção... Bom, vendedores
ambulantes é o que não falta. Estão fazendo aquecimento para o dia de amanhã.







NA
TERRA


Mas
esperem aí! Eles chegaram até nós. Invadiram nossa praia com uniformes azuis,
capacetes amarelos e estruturas de andaimes. No calçadão, junto ao quiosque, já
tem uma torre montada, devem ser postos de observação da polícia.




Ainda
há paz por aqui. O mesmo não posso dizer das imediações do Copacabana Palace. É
um frenesi. Fãs e fotógrafos com super teleobjetivas, todos de pescoços duros,
olhando e apontando seus canhões e esperanças para as janelas das suítes
reservadas para a banda inglesa. E os roqueiros não decepcionam. De vez em quando
dão um tchauzinho pra turma do gargarejo, arrancando gritos e justificando a
paciência dos fotógrafos.




Temos
trabalhadores de vários níveis e padrões no staff do show. Há, no mínimo, dois
comportamentos padrões entre os contratados: os que fazem sempre e, portanto,
consideram as tarefas apenas rotina e os que precisam mostrar que estão na
produção, afinal, qualquer função na montagem do circo é um ponto
ultra-positivo no currículo.








NO
AR


Poxa,
agora que o som estava se integrando a nossa paisagem.... parou. Foram apenas
duas músicas, não dá nem pra chamar de aperitivo, foi, assim como raspar o
fundo da panela. O prato principal fica para mais tarde. Antes, vamos
aproveitar o dia e observar o movimento.




Enquanto
algo não acontece, além do barulho dos helicópteros que cortam o céu azul e sem
nuvens, volto a me perguntar, olhando a paisagem: A pedra é a ponta, ou...





Valeria del Cueto é jornalista e cineasta
liberado para reprodução com o devido crédito

http://delcueto.multiply.com

Este artigo faz parte da Série "Ponta do
Leme", composta por: “ Antes a Tarde do que nunca”, “Farol da Alma”, “No
Leme, 18 é pouco. Do resto não sei dizer”, “Onda, Pedra e Maneiras de Ver o
Leme”, “A Vingança do Gato Preguiçoso”, “ E o Rapa Levou”, “Até onde a Vista
Alcança”, “Pré Visões do
Tempo
”, “O Rei da
Praia
”, “ Há os que não
Gostam, Ora Pois
”, “N.G. por V.d.C.” e outros
mais que ainda virão....