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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Muita calma nessa hora!

Muita calma nessa hora!

Texto e foto de Valéria del Cueto
As palavras saem sem que Pluct, Plact consiga sequer tabular as letrinhas correspondentes. Tipo um mantra milenar a ser repetido a cada declínio dos tantos e inevitáveis ciclos históricos universais.

Repare que aqui não se fala de assuntos mundiais ou planetários. A lei é do universo. Tudo que sobe, desce. Sábios são os poucos que consegue unir “decadance avec elegance”. Normalmente a subida é difícil. E a queda inevitável. Por erro de avaliação e condução, normalmente pulo cego de um precipício. Sem direito a rede de proteção ou cabo de segurança.

Mas quando a gente está lá em cima perde totalmente a noção do perigo e a perspectiva dos fatos. Tal e qual Ícaro, pensamos ser Deus e vamos em frente, acreditando que as asas farão seu papel milagroso na hora do pulo. E não falamos aqui de asas deltas, parapentes, ou similar. O peso do poder não pode ser sustentado pela física.

É por essas e por outras que de alguns antigos apogeus e consequentes declínios pouco ou nada restam de registros, pulverizados que foram pela avalanche da queda.

E é melhor assim permanecerem, no esquecimento!

Isso pode parecer papo de maluco. Mas não é. É letra mandada por um extraterrestre preocupado. Em busca de uma vacina. Precisando de um “media training” para poder chegar com seus argumentos azeitados no próximo encontro com seu fio terra, a cronista ensandecida(?), voluntariamente encarcerada do outro lado do túnel.

“Oi querida amiga. Que saber da última? Donald, não fia, não o pato do Walt Disney, mas o Trump será o próximo presidente dos USA. Ninguém levava fé. Nem ele mesmo. Mas é!” Cai o pano preto da história.

Do céu vem o recado. A esperança é a última que corre. E, quando vai, deixa a porteira aberta que possa voltar   das cinzas das terras calcinadas. E renascer,  crescer e, como tudo, fenecer novamente.

Qual a reação da cronista? Impossível dizer. Talvez ela sirva de consolo aos olhos estarrecidos de Pluct, Plact que não se chama Teresa e não é da família Batista. Mas, sim, está cansado de guerra.

O que não impede que também saiba que essa é pedra cantada no horizonte e aqui. Bem no nosso quintal...

Essa sensação aumenta quando se lembra que foi numa cena (quase um “dejá vu”) como a dessa semana, no espaço em frente ao prédio histórico da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa,  que o ser interplanetário aterrissou e fez seu primeiro registro corporal no planeta terra. Lembra  “Pluct, plact Pow”, uma das primeiras Fábulas fabulosas publicadas por aqui? Parece ter acontecido anos luzes atrás.

Lá, a polícia continha na base de “porrada e bomba” os professores que protestavam. Agora, é ela que precisa ser (inutilmente) contida por, ao defender seus direitos, invadir a casa do povo! No seu interior os políticos por eles eleitos se escondiam dos manifestantes. Sem querer recebe-los.

Na pauta, entre outras bondades, a perda de vários direitos para pagar a conta da falta de controle financeiro do governo estadual. Aqui, aí, e em quase todo o Brasil a situação é pré-falimentar. Alguém tem que bancar a ladroagem. Porque o dinheiro certamente não foi para onde deveria ir: saúde, educação, segurança... Detalhes, meros detalhes que empilhados formatam o buraco aos pés do precipício acima citado.

Não... nada será como antes.  Mas sempre haverá uma chance de recomeçar. Pelo menos enquanto houver esperança e boa vontade. No mais, por agora, é calma... muita calma nessa hora para calcular o prejuízo e cobrar a conta dos responsáveis pelo descalabro atual.  

PS pós publicação: para essa quarta feira, 16 de novembro, quando começa a ser analisado o pacote de bondades do governador Pezão, a cerca ao redor do prédio da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro foi ELETRIFICADA.

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Texto da série “Fábulas fabulosas” do Sem Fim...
Studio na Colab55

domingo, 4 de agosto de 2013

And now...


Texto e foto de Valéria del Cueto
O vácuo entre os megaeventos deveria chegar a essas mal traçadas páginas.
Uma pausa entre o arrasa quarteirão eclesiástico e o da música, uma caminhada nextélica e cheia de lama entre a Cidade da Fé e a Cidade do Rock.
Pra começar nada de Cidade da Fé, que essa ficou atolada em Guaratiba. Foi um caso em que a arte imitou a vida, que aprimorou a arte.
Refiro-me a arte cinematográfica do delicioso filme franco-uruguaio “O Banheiro do Papa”, de 2007, escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández.
Uma história real, que virou ficção para ser ampliada exponencialmente na malograda Cidade da Fé: a de um contrabandista de fronteira que usa tudo o que tem para construir um banheiro, atender as necessidades básicas dos peregrinos e arrumar algum. Lá, deu tudo errado, igual aqui.
Isso é claro, não tem nada a ver com a alegria do Papa Francisco, sua empatia e a forma com que cativou as multidões por onde passou. Seu carisma é sua mensagem são inquestionáveis. A questão é mais palpável e real. Ela é financeira e econômica.
Foi nesse quesito que a parte Zona Oeste do Rio levou um banho. De água fria. A parte Zona Sul ficou sem transporte, desabastecida, porém feliz. Afinal o Papa é pop.
E já se foi. Para nós, ficou a realidade, a espera e um novo megaevento para breve.
A diferença está, justamente, nesse intervalo, agora habitado por uma gama variadíssima de manifestações populares. E, com as perspectivas futuras, em curto ou largo espaço de tempo, a tendência é que essa agenda venha a ficar ainda mais intensa. Afinal dólar subindo, bolsa em queda, e a inflação... Deixa pra lá.
Esses fatores, aliados ao descompasso dos dirigentes políticos, agora já preocupados em tirar proveito da revolta da população, já que estão definitivamente mal na foto popular, só tendem a agravar o quadro.
Não falo do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, estados por onde costumo circular com mais frequência. A questão é nacional.
Até Amarildo, o desparecido da Rocinha, não é mais um apelo carioca. O Brasil inteiro pergunta ao (des)governador Sérgio Cabral: ONDE ESTÁ O AMARILDO?
E, quanto mais fuçam pior fica. As câmeras que pagamos e eles anunciaram e alardearam nas propagandas milionárias em horário nobre da TV, simplesmente não funcionavam. Assim como o transporte, a saúde...
Alguém tem que pagar por isso. É muita irresponsabilidade, muito desperdício.
É nosso dinheiro sendo usado não em benefício do povo, para sua proteção, mas para enriquecer as firmas A e B, que simplesmente não cumprem o exigido nos contratos assinados e nem mal e nem porcamente fiscalizados.
Assim como as câmeras do Amarildo, as da CETRio também falham quando acionadas pela população. Especialmente as da casa do Sérgio Cabral...
Por essas e por outras é que haverá uma data especial no calendário dos megaeventos, no mês que vem, inserida por motivos alheios a vontade popular. Será o 7 de setembro.
A data em que todo brasileiro vai entender Dom Pedro,  quando bradou com revolta no coração e a voz cheia de razão: “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Independência, a reminiscência




O dia 7 de setembro já foi uma data muito importante na vida dos estudantes.

O desfile era um momento aguardado, planejado e exaustivamente ensaiado nos mínimos detalhes.Acertar o passo dos alunos e afinar os instrumentos das bandas marciais das escolas tomava tempo e exigia dedicação.

Era assim no Colégio Batista de Ponta Porã, na década de 60.

As fotos são de dois anos seguidos, do período que moramos em Ponta Porã, Mato Grosso (antes da divisão).

Diria que tinha sete e oito anos, pelos uniformes. Na primeira foto, de 1967, desfilei a carater, camisa branca, saia caqui, com o escudo do colégio bordado no peito e...gravata!

O terceiro da fila, acho que se chama Moacir. Minha irmã, Gisela, a quinta da fila, usava o uniforme do pré primário. Um avental xadrezinho azul e branco e camisa branca por baixo. Portanto, eu devia estar no primeiro ano. Reparem que todos usavam sapatos pretos e nós, brancos.

As fotos seguintes são de 1968. Ali, já tinha descoberto que o uniforme era desconfortável para desfilar, então alguns alunos sugeriram usar um uniforme de educação física, para representar o esporte no colégio.

Abríamos o desfile. Na minha frente vai a Kátia. Já Gisela, minha irmã, partiu para outro tipo de exigência: uniforme de gala. Usou até luvas e uma faixa verde amarela. Impressionou pelo menos um espectador. O cachorro que a observa atentamente.

* Texto, reminiscências e fotos do acervo de Valéria del Cueto.