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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Zona Geral

Zona geral

Texto e foto de Valéria del Cueto

Ela chegou, passou, e veio outra frente fria para desfilar o guarda roupa de inverno pelas ruas brasileiras das cidades das regiões sul, sudeste e centro-oeste, pelo menos. Começar a crônica falando do tempo pode ser pura enrolação em busca da linha da pipa do pensamento que anda vagando por aí. Nada de novo, nem o excesso de argumentos convincentes para garantir o desenrolar um texto de duas laudas para cumprir o compromisso semanal.

Distritão, aumento do Imposto de Renda, mais de 3 bi para Gilmar Mendes comandar a pantomina eleitoral. Meireles, Temer, agendas noturnas, sessões soturnas nas Comissões da Câmara Federal. Buraco negro.

Pezão honra o apelido ao aplicar seu mais certeiro pontapé na falência carioca. Abre licitação para contratar horas de voo particulares. Saúde, educação, segurança, salários que se danem. Se é para ir ao Spa, que seja com pompa e circunstância. Não dá é para deixar de lado a liturgia do cargo falido.
“Reclamando de que?”, indaga o ex vice-governador e secretário de obras do megalô, corrompido e atual presidiário Sérgio Cabral, o que mandava o cachorrinho de helicóptero para Mangaratiba.

Sérgio é aquele que, no pelotão de ouro da disputa pelos títulos de recordista de ações criminais e tempo de cadeia entre a elite política brasileira, está ali, ali nas paradas de sucesso. Cabeça a cabeça com Geraldo Riva, até então líder incontestável entre os políticos denunciados. Opa! Essa informação tem que ser checada para confirmar se não há nenhum outro competidor correndo por fora...

Onde fomos parar? A pergunta que não quer calar não deve ser pronunciada! Ainda é muito cedo. Ninguém sabe quando vamos parar, o que dirá onde. Essa é a questão que habita entre o céu e a terra. Daquelas que somente supõe nossa vã filosofia. Ah, bardo inglês, o que não farias com nossas peripécias cotidianas e os malabarismos da nossa corte irreal...

Não há limite para a imaginação enquanto o mundo faz de Despacito um clip de 3 bilhões de acessos. É verão no hemisfério norte, hora de diversão e alegria. Mesmo com a chegada de levas de refugiados em frágeis embarcações nas praias paradisíacas da costa espanhola sob os olhares incrédulos dos turistas da temporada. Faz parte do pacote ou foi no improviso?

Em terras cariocas o contingente da guarda-municipal é submetido a um questionário sobre suas preferências religiosas. Com campos para católicos, evangélicos, espíritas e “outro”. Com três pontinhos para explicar que outro é esse.  Também querem saber se os guardas são praticantes ou não. Com nome e matrícula no formulário, que é para não ter direito a anonimato.Deu ruim. Claro que a “pesquisa” vazou e foi acrescentada ao incrível conjunto da obra do bispo prefeito.

A balança não ficou totalmente desequilibrada pela simples razão de que seu antecessor, o nervosinho Eduardo Paes, também está sendo caneteado por liberar um pagamentozinho básico de compensação ambiental para a empresa que construiu o campo de jogos de golfe das Olímpiadas que esse mês fez um ano. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa e outras pontes peemedebistas.

Pulando de saco para rato (sem sair da mesma ideologia partidária) e procurando um modus operandi em comum, o que foi a delação de Silval Barbosa, ex-governador peemedebista de Mato Grosso? A torcida aguarda os próximos lances da delação que o ministro Luís Fux, do Supremo, já classificou de “monstruosidade”. Parece que com direito a vídeos comprovando as tenebrosas transações que ocorreram entre a ida do BRT que deveria ter virado VLT, cujos vagões nunca chegaram aos seus respectivos trilhos.

Resta saber o que fazer quando a nega maluca, aquela do samba, chega na sinuca e anuncia: “toma que o filho é teu”. Corre em Mato Grosso que vai ter plebiscito pro povo resolver o que o poder público não conseguiu: VLT ou BRT?

Resumindo está tudo dominado e dividido. Não tem pra onde correr. Tudo uma zona. Federal, estadual e municipal. Ninguém escapa. Nem você!

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Arpoador” do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com
Studio na Colab55

domingo, 19 de agosto de 2012

Papo de Maluco?

Papo de maluco?

Valéria del Cueto*


É só o que tenho ouvido nos últimos dias. Mensalão, campanha política, mico pós-Olímpico e, pra finalizar a semana, a pedra mais que cantada, o rolo do VLT de Cuiabá/MT. Onde “dizque” se rouba na cara dura, mais ou menos em surdina, mas só se pagar. É surreal um corruptor empregado denunciando o corrompido empregador por… quebra de acordo!


É agosto, gente. E a coisa está tão assim que até a brincadeira recorrente sobre o mês do cachorro louco miou. O dia 13 de agosto, por exemplo, passou batido. A desculpa é que não caiu na sexta-feira, a segundona cravada aliviou um pouco o peso da data. Também ficou sem muito alarde o antes famoso e intensamente praticado “dia do pendura”, 11 de agosto, quando os advogados comemoravam sua efeméride. Tadinhos. Imaginem que antigamente eles iam aos restaurantes, comiam, não bebiam (por que aí é ilegal) e saíam sem pagar a dolorosa. 


Mas isso foi antes. Agora, o “pendura” não é mais fashion diante da nossa vil e escandalosa realidade. 

Quem vai comentar um calote estudantil de alguns reais diante dos milhares de milhões que estão sendo “usufruídos” por quem não tem direito legal e/ou moral (?) a eles, mas mete a mão com a maior cara de pau? 


De quanto falam as contas analisadas e discutidas atualmente nas sessões no Supremo Tribunal Federal? Qual o valor das propinas distribuídas nababescamente por Carlinhos Cachoeira, o único culpado por uma CPI inteira, em que os fatores Delta, Gama, Alfa, Beta, Omega, Cabral parecem ser apenas uma firula de linguagem (im)popular e protegida pelos rabos presos do poder? O mensalão é àquilo, ou a metro? 


O dinheiro brota que nem lixeira (a árvore do cerrado que queima e renasce no meio do carvão e das cinzas nas terras castigadas pelo fogo e cobiçadas para alimentar a humanidade) nas mãos limpas e bem lavadas das impolutas raposas encarregadas de tomarem conta do galinheiro. 


A rinha midiática expõe os egos dos que tentam provar o fato e dos que tentam esconder os atos, como se ao destrinchar o frango e apresentar apenas a sobrecoxa, a peça deixasse de ser parte integrante do galináceo em questão 


Na campanha eleitoral o truque é mais baixo ainda: a diminuição do tempo de exposição dos candidatos e suas ideias não permite uma análise profunda dos concorrentes. São eleições “liquidação das Casas Bahia”. Ou vai ou racha, é agora ou nunca, sem direito a estudar a compra, avaliar os produtos disponíveis nas prateleiras. Cresce o display publicitário, diminui o tempo para expor e discutir propostas. Pra quem, mesmo? Quem sai ganhando? Os que já estão na vitrine ha mais tempo, com propaganda institucional bancada pelo… nosso dinheiro. 


Exemplo? O passeio indecente e indecoroso da bandeira Olímpica em solo pátrio. Usada como reles peça de marketing eleitoral dos abusados de plantão. Os bois têm nome: Eduardo Paes, Sérgio Cabral e, por que não? Dilma! Todos botando suas mãos anti-higiênicas e contaminadas no que só é tocado por luvas no resto do mundo. Nem entramos em campo e já temos um caso explícito de desrespeito olímpico! Gente pobre, povo nobre e assim mostramos ao mundo nossa ignorância esportiva. Gritem nas quadras, de vôlei, basquete, tênis, imponham a tentativa antiesportiva de desconcentrar os competidores como um direito e não uma demonstração da nossa falta de EDUCAÇÃO. Essa, temos de sobra, não é presidente(a)? Estudante(a)s desocupados do nosso amado Brasil que o digam. 


Normal, num país em que o corruptor denuncia a corrupção por que pagou e não levou… Ou se imagina que alguém daria de graça um projeto de VLT avaliado em 14 milhões? Nada a estranhar, quando o denunciante tem, inclusive, um cargo no gabinete do vice-governador do partido de quem tudo fez para que o BRT se transformasse em VLT. Diga-me com quem… 


Falando nisso, onde andará a chuva do caju, primeiro sinal de que o clima, um dia – ainda demora -, vai mudar? Que assim seja na vida. Venham, outros ares, mesmo que tardios, como a chuva benfazeja!

Valéria del Cueto é jornalista, cineasta, gestora de carnaval e colabora com o DC Ilustrado. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM.delcueto.cia@gmail.com