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sábado, 8 de junho de 2013

O barquinho vai...


Texto e foto de Valéria del Cueto

Já vi esse filme. Estava no Rio de Janeiro nos anos que antecederam o PAN de 2007. E como a maioria dos cariocas ainda procuro o tal “legado”. Hoje, anos depois, posso dizer que ele é para poucos.
Uns, como é o caso do Flor Ribeirinha, grupo de cururu e siriri de Cuiabá, aproveitam a onda para, no  impulso, se firmar no lugar que sempre mereceram e fortalecer a imagem de ícone cultural.
Símbolo inconteste da  tradicional cultura cuiabana, Dona Domingas trabalha há anos na comunidade de São Gonçalo Beira Rio para preservar e disseminar a cultural nativa local. Se alcança o sucesso que vem alcançando e que projeta o grupo e seu trabalho é  por mérito, persistência e muito suor.
Outros são como o caso de um dos responsáveis pelo fim do nosso ex-maior estádio do mundo, aquele que virou lenda, e foi posto a venda: o espetacular e lendário  Maracanã!
Pois não é que lá está ele? O mesmo que na próxima semana poderá(?) obter do IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico Nacional a autorização para modificar um bem tombado e orgulho dos cariocas, o Aterro do Flamengo, projeto original, do arquiteto Afonso Eduardo Reidy, para ali desenvolver um “empreendimento”. Usando para isso a Marina da Glória, parte integrante do maravilhoso parque utilizado gratuitamente por toda a população carioca.
A gente olha e reclama muito, até de forma organizada, mas dura a realidade é que estaríamos sendo patrolados pela máquina de gerar dinheiro para uns, usando os bens públicos de muitos, apoiados pro aqueles que, em última análise, deveriam representar e proteger nosso patrimônio!
Fomos salvos graças ao juiz Vigdor Teifel, da 11ª Vara da Justiça Federal do Rio. Imaginem que em 1999 foi impetrada uma ação popular contra a Empresa de Terraplanagem e Engenharia (EBTE), que administrou o local entre 1996 a 2009. A decisão proferida para ação cancela seu contrato com  a Prefeitura do Rio.
A EBX, de Eike Batista, comprou a EBTE e a REX, empresa de desenvolvimento imobiliário do grupo, pretendia “reformular” a Marina, construindo, entre outras coisas, um prédio de 15 metros de altura, um centro de convenções e 50 lojas.
"A exploração comercial da Marina da Glória está diretamente relacionada com sua aptidão natural (eminentemente náutica) e com a observância dos interesses coletivos dos usuários do local, não se concebendo que o desenvolvimento de atividades comerciais em uma marina se identifique com a exploração de empreendimentos e complexos comerciais", escreveu o juiz Vigdor Teifel.
A sentença foi em 1ªinstância e cabe recurso, mas deveria (a esperança e a fé nunca morrem) ser levada em consideração na reunião do IPHAN que, afinal, está aí para preservar nosso patrimônio.
O projeto em pauta, de 2010, é do arquiteto Índio da Costa, o dos quiosques da orla. Aprovado pelo Conselho Consultivo e, depois, rejeitado pela Superintendência do IPHAN no Rio de Janeiro. Uma versão revisada passou pela Câmara de Análises de Recursos. Agora,  o projeto executivo de revitalização da Marina deverá ser submetido à aprovação do Iphan e do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
A sentença do juiz muda um pouco o rumo da prosa...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

domingo, 26 de maio de 2013

Ó de casa?!


Ó de casa?!
Texto e foto de Valéria del Cueto
Vamos cair na real: não será hoje. Mas quase ontem. A Copa está aí. Alguma novidade? Talvez para quem nunca comeu melado. Por que, ao contrário do ditado, é justamente quem já comeu que está se lambuzando. E o faz de caso pensando, por que sabe que é agora... ou já! As comportas estão abertas e jorra dinheiro para tentar fazer em alguns meses o que não foi executado em anos.
Lembro-me sim, do dia em que saiu o resultado das cidades escolhidas para serem sedes da Copa de 2014. Meninos eu, vi, estava voltando (de novo) para Mato Grosso e uma das tarefas do retorno era registrar em vídeo a agitação da Praça do Chopão, onde Cuiabá em peso se reuniu para assistir a declaração da FIFA.
Acompanhei colada com os “artistas” que ali estavam para, mais que comemorarem, mostrarem à gente brasileira, por um link ao vivo da rede Globo, o que Cuiabá tinha para oferecer ao mundo: cururu, siriri, o boi e, como todo o Brasil, o samba.
Lembro que havia uma tenda vip, para as autoridades. Só que a reação desse povo a “conquista” não me interessava, já sabia qual seria. Preferi me encostar nos cururueiros que afinavam, nervosos, as violas de cocho e arranhavam insistentemente seus ganzás. Ali, sentia a tensão do povo de Cuiabá para a realização de um sonho, apenas de um sonho: o de que a Copa do Mundo chegasse àqueles que teriam  imensas dificuldades na vida para irem até ela.
Para o trabalho, havia várias câmeras espalhadas: Na tenda, na área das apresentações ao lado da praça. A subida da Getúlio havia sido impedida e um trio elétrico ocupava a rua. Imagina a briga que era pra saber que iria subir no caminhãozão. Muita gente conseguiu sair na foto, mas claro, o espaço não foi suficiente para tanto ego. Do lado de fora do Chopão, o povo. Lá dentro, meia sociedade cuiabana, que aquela não era festa pra perder. Só comemorar. Faz quatro anos no dia 31 de maio!
Não quero ser derrotista, por que acredito na capacidade de organização e, apesar de não ser devota, nos milagres capazes de serem realizados pelo Santo RDC (Regime Diferenciado de Contratação, pra quem não ligou a sigla ao seu bolso), mas a coisa mais pronta que pude ver nesse período, é o trabalho do mesmo grupo Flor Ribeirinha que rodopiou cheio de alegria e emoção para nos representar para o mundo naquela praça.
Pois não é que a Domingas, mãe, pai, tia e madrinha do projeto de excelência, nascido no São Gonçalo Beira Rio, soube pilotar sua canoa com maestria e organização e, um ano antes do evento, mostrou para os cuiabanos como o cururu e o siriri os apresentará para o planeta? Ocupou com maestria todos os espaços que pode e fez sim, um lindo trabalho, levando sua trupe das águas do seu Cuiabá para mares e oceanos distantes. Claro que enfrentou corredeiras e calmarias, mas dá gosto ouvir falar do seu sucesso.
Pena que nem todo mundo esteja jogando aberto como a artista Domingas. Li que o Tribunal de Justiça suspendeu a licitação organizada pela SECOM/MT para escolher as agências de propaganda que atenderiam a SECOPA. O mandado de segurança foi impetrado com o argumento do o não cumprimento da Lei 12.232/2010 e do uso em uso em vão do nome, ao que parece do Santo RDC!
Indica que já estamos no período do pega pra capar e  do Deus nos acuda! Tem gente rodopiando  e dançando qualquer ritmo e batida para levar de lambuja uma beira da nossa festa...
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “No rumo”,  do SEM FIM... delcueto.wordpress.com