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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Bom tempo


Bom tempo

Texto e foto de Valéria del Cueto

Depois de um verão para lá de quente parece que deu uma refrescada! Por vários meses até os animais sumiram de circulação.

Só conseguia detectar o ciciar das cigarras anunciando o bom tempo, o coaxar da saparada de noite e, claro, uma quantidade incrível de mosquitos que dominava o ambiente mal o sol se escondia.

Bastava chegar a primeira sombra atrás da linha da vegetação da morraria e lá estavam eles. Grandes, médios e os mais microscópicos e doídos, os donos das noites encaloradas...

Vi a primeira mudança quando detectei as lagartas se fartando na samambaia da varanda, apelidada de latifúndio. Uma ironia referente a seus poucos metros quadrados. A maioria é ocupada por plantas que me acompanham há vários anos. Incluindo uma chorona que, diz a lenda, tem a minha idade!

Confesso que eliminei várias lagartas comilonas de diversos tamanhos, impedindo a metamorfose de algumas borboletas.

Entre elas e as plantas que vieram da casa da minha avó, passaram pelo apartamento do Leme, depois foram para Araras e, agora, habitam o pé da serra, adivinha? Preferi zelar pela saúde das antigas companheiras.

O tempo anda firme, porém mais ameno. O que atraiu, por exemplo, as formigas de várias tribos e periculosidades.

Elas passaram a circular intensamente no deque se arriscando a passear pela canga em que gosto de me deitar apoiada numa pedra para ler embalada pelo barulho das águas do rio correndo entre as pedras.

Não satisfeitas em devorarem as plantas específicas, como as folhas das Lágrimas de Cristo (até hoje não floriram, então, não sei se as flores são brancas ou vermelhas), começaram a expandir suas moradas. No gramado o combate à expansão imobiliária dos formigueiros passou a ser incessante.

A natureza está despertando depois desse verão tórrido?

Que o digam os morcegos e seus rasantes no final do dia. Começaram a ser assunto constante nas conversas pelos arredores. Os moradores relatam a ocupação e os problemas causados nos telhados.

Quando não é morcego, são os gambás. Um vizinho até achou bonitinho saber que tinha um instalado no forro da sua casa. Até a hora que descobriu que os habitantes haviam se multiplicado. Era, agora, uma família. E numerosa!

Outro dia, a gatinha da casa em frente estava ressabiada, rodeando sem chegar no cômodo onde costuma dormitar durante o dia.

Bastou uma inspeção cuidadosa para parecer a ponta de um rabo perto da porta. Debaixo do sofá surgiu uma cobra com pinta de coral. Depois, devidamente anaquilada e analisada, concluíram que era falsa. O susto foi grande!

Nem todos os animais são peçonhentos ou perigosos.

Além das borboletas, os passarinhos também estão mais animados e cantadores.

Volta e meia um confunde a orientação do voo e dá um encontrão nos vidros das janelas. Eles se iludem com as árvores próximas refletidas. Já descobri que a ilusão de ótica aumenta se as cortinas estão abertas. Por isso, as mantenho semicerradas.

No rio que limita a casa tem mais movimento de peixes médios e peixinhos passeando entre as corredeiras.

A novidade é um cágado que escolheu uma pedra para lá da curva, margeando a estrada, para tomar sol todas as manhãs. Arisco, é muito difícil ele deixar registrar sua presença. Ainda não desisti da missão, apesar de nossos horários estarem desconectados. Ele chega cedo e eu durmo até tarde.

O cágado é tão rápido quanto os lagartos que habitam a toca perto da garagem. Não são tão grandes quanto os teiús que circulam pela rua não asfaltada na lateral da casa, nem tão pequenos quanto as lagartixas que cultivo e respeito profundamente.

Outro dia vi que a família dos lagartos também está crescendo. Um filhote passou raspando entre as rodas de pedra do antigo moinho desativado, guardadas como recordação na entrada da oficina ao lado da garagem.

Agora, com o outono pela metade a vida volta a pulsar no pé da serra, não tão forte quanto antigamente.

Já foi confirmado, constatado e concluído que o El Niño está chegando. Teremos (mais)um inverno aquecido e com temperaturas acima da média.

Pensando bem, nos últimos anos sempre tem algum elemento que garante o aumento da temperatura no planeta, já reparou?

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Não sei onde enquadrar” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

segunda-feira, 19 de março de 2018

Amendoeira do Studio@delcueto #colab55


Fim de verão, entrada do outono e o Rio se enche de tons e cores. Amendoeira é a primeira coleção da temporada  outono/inverno de 2018 no hub brasileiro #colab55 do  Studio@delcueto.


Depois do carnaval, com o fim das férias,  o Rio volta ao seu ritmo habitual.

Lentamente diminui a quantidade de turistas nas ruas, praias e bares e restaurantes. Outras imagens e signos começam a atrair a atenção, especialmente de quem consegue perceber a mudança das cores na paisagem carioca.

É como se um filtro polarizador ressaltasse as tonalidades da paisagem, destacando as alterações da natureza que alertam para a chegada do outono.

Tons e linhas da natureza

Amendoeira é renda de folhas e galhos que se entrelaçam contra o azul lavado do céu carioca, depois extraído com a manipulação da imagem nos softwares de edição.

Esta é a segunda temporada das coleções outono/inverno do  Studio@delcueto! 

Depois do carnaval, com as coleções #quemsambasabe Chuva de Confete, Redentor na Apoteose e MEIO,  as três linhas lançadas no verão 2018, que se juntam ao "bloco" formado pelos Cristos Azul, Verde e branco e Verde e rosa,  a Confete verde e rosa e as torcidas: Bandeiras vermelha e branca, azul e branca e verde e rosa, criadas na temporada de 2017, é. tempo de sair da fantasia e olhar para a natureza!

Origem: olhai pro céu...


Um passeio pela Praça General Osório, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Saindo do burbuinho da Visconde de Pirajá, pelo lado da Prudente de Morais, uma paisagem bucólica compost pelos jardins, o imponente portão de ferro e a exuberância das cores das antigas amendoeiras. São elas que formam rendas de folhas e galhos desenhados pelas copas das árvores. Dependendo da época do ano, as cores dos rendilhados e seus formatos  se alteram seguindo os humores da natureza carioca.

Concepção

Do rendilhado de folhas e galhos fiz recortes e os destaquei da imagem original. Andei com essa matriz pelo objetos do #colab55 adequando-a a cada um deles e, em alguns casos, inserindo uma cor de fundo (dentre as que são tendências da temporada), "pinçada" da própria imagem.
 

 

 

 

 

 

 

 

 



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 No Getty Images

Imagens produzidas estão na coleção Sem Fim… de Valéria del Cueto no Getty Images. Exclusivas do banco de imagens, elas também estão a venda!

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